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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gurgel 1° Parte - Do início ao Apogeu


   Bem a maioria dos leitores já devem ter visto nas ruas um carrinho todo quadradinho e feinho feito de fibra de vidro, e com certeza não deram muita atenção ao dito cujo, mas por trás deste carrinho tem muita história que vou contar agora.
   João Augusto Gurgel era um engenheiro eletricista e mecânico que sonhava com um carro genuinamente Brasileiro, então ele fundou em 1969 a Gurgel e o primeiro modelo foi o Bugre Ipanema que utilizava o motor do fusca.
   Percebendo a boa aceitação no mercado off-road a Gurgel lançou em 1975 o modelo jipe Xavante X-12, que foi o principal produto em termos de venda da marca durante toda a sua existência, o Exército gostou tanto do produto que logo fez uma grande encomenda, então a Gurgel produziu uma versão militar para este fim o que impulsionou ainda mais a produção, e ainda passou a exportar sendo que em 1978 25% de toda a sua produção era exclusivamente para exportação. Em 1979 foram lançados os modelos X-15 e X-20
   No final da decada de 70 a fábrica já contava com 272 funcionários entre tecnicos e engenheiros que trabalhavam em uma área de 360 mil m². O Exército continuava sendo o maior cliente.
   Em 1982 a apartir de um modelo elétrico que não deu certo a Gurgel lançou o G800 também com o motor volkswagen que seria uma espécie de concorrente da Kombi. No ano de 1983 era lançado XEF um sedan compacto e luxuoso para a época, e por fim em 1984 era lançado o jipe Carajás que foi o carro de maior sucesso da marca, sendo que foi o primeiro com o motor dianteiro.
   A empresa estava crescendo a olhos vistos, mas Gurgel queria mais, ele sonhava com um carro urbano, econômico e barato que fosse 100% Brasileiro, então em 1987 foi apresentado um protótipo 280M, chamado CENA (Carro Econômico Nacional), ele foi projetado para ser o mais barato do país. Os motores eram de 800cc iguais ao da volkswagen 1600cc só que cortados ao meio e ainda refrigerados a água, para evitar o processo da Volkswagem que tinha a patente dos motores refrigerados a ar.
   A parti deste protótipo se chegou em 1988 ao famoso BR-800, que teve incetivos dados pelo governo como o de pagar apenas 5% de IPI (os outros pagavam 25%), o carro chegou ao mercado com preço em torno de 7 mil dolares, sendo 30% mais baratos que os compactos de outras marcas como o Fiat Uno.
   No início, a única forma de comprar o carrinho era comprando também ações da Gurgel Motores S/A, cada comprador pagaria 7.000 dólares pelo carro e 1500 pelas ações. Através de uma campanha agressiva foram vendidos cerca de 10 mil lotes de ações da empresa. E na época foi um bom negócio para muitos, pois já em 1989 havia um ágio de 100% pelas mil unidade já produzidas. Já em 1990 o BR-800 passaria a ser vendido sem o pacote de ações, isto é qualquer um poderia comprar o veiculo.
   A Gurgel tinha chegado ao auge, mas infelizmente no Brasil tudo que sobe tem que descer, e na 2º Parte vou contar como foi o fim do sonho da Gurgel Motores.
   Desculpem se acharem algum erro, pois escrevi este post as pressas pois perdi totalmente o outro. Um abraço a todos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

IBAP - A Sacanagem do Século

   Vocês já devem ter reparado que os países que possuem economia forte, possuem também uma industria automobilística nacional, veja só alguns exemplos por país:
1-EUA = Chevrolet e Ford
2-China = Chery e Jac
3-Japão = Honda e Toyota
4-Alemanha = Volkswagen e BMW
5-França = Renault e Peugeot
6-Brasil = ?
7-Inglaterra = Land Rover e Rolls Royce
8-Itália = Fiat e Alfa Romeo
9-Rússia = Lada
10-Índia = Tata
   O mais interessante é que desses países, o Brasil é o único a não possuir uma industria 100% nacional. Temos sim muitas industrias automobilistas, mas todas elas são estrangeiras. Mas será que ninguém teve a idéia de fundar uma fabrica 100% nacional?
   Sabemos que ouve uma tentativa da Gurgel entre anos 70 e 90, mas nos anos 60 também ouve uma outra tentativa, que infelizmente foi fracassada e contarei a agora de maneira resumida como foi esta história.
   Nelson Fernandes tinha um grande sonho, que era criar um automóvel moderno e que fosse 100% nacional, então ele 1963 fundou a IBAP (Industria Brasileira de Automóveis Presidente) em São Bernado do Campo.
   O plano dele era ousado, ele tinha em mente construir um autómovel de alto padrão que pudesse concorrer com as carroças da época:
   Simca Chambord, Aero Willys e FNM JK vistos nas fotos logo abaixo.
   A fabrica tinha inicialmente 120 funcionários, estes teriam benefícios como título de propriedade da IBAP, participação na diretoria, desconto na compra do carro e preferência para se tornarem revendedores.
   O modelo seria batizado de “Democrata”, e teria a carroceria de fibra de vidro, e o motor seria o único componente importado (da Itália).
   Os veiculos só poderiam ser adquiridos por meio de compra de ações, isto é primeiro os consumidores teriam que adquirir ações da IBAP e depois guardar o seu lugar na fila para receber o automóvel. Isso era uma jogada sensacional, pois a venda de ações da companhia para os futuros compradores, seria uma importante estratégia para financiar a empreitada.
   Podemos ver pelas fotos abaixo que o modelo tinha um design bem avançado para época, compare com os 3 das fotos de acima.
   Essa empreitada, não era bem vista pelas estrangeiras aqui instaladas, pois não era de interesse delas, que ouvesse uma industria 100% Brasileira, e assim começou uma forte campanha contra a IBAP nos veículos de comunicação. O projeto foi duramente atacado pela revista “Quatro Rodas”, e consta que havia nos bastidores um forte lobby das montadoras estrangeiras junto ao governo militar, o que acabou por sepultar a IBAP e o sonho de Fernandes. 
   A estratégia de financiamento da empresa resultaria num escândalo sem igual na história da industria automobilistica nacional.
   A sacanagem começou da seguinte forma: Inicialmente cerca de 500 motores viriam da Itália, mas "providencialmente" a Polícia Federal apreendeu todo carregamento com ferramental, estampo e moldes como se fosse um mero contrabando. Hummm...muito conveniente! 
   Depois ele tentou comprar a estatal Fábrica Nacional de Motores (FNM) que andava mal das pernas, mas o governo vetou a operação. Após uma onda de manchetes negativas, os investidores "com medo" desistiram das ações, e a empresa perdeu fôlego.
   Em 1968 a IBAP acabou fechando suas portas, antes mesmo de começar a produzir em "larga escala" o primeiro automóvel projetado totalmente no Brasil. E para completar a cereja no bolo, todo patrimônio da empresa foi seqüestrado pela justiça. Pois todo o castigo pra corno é pouco.
   Fernandes foi inocentado e somente 20 anos depois o Banco Central reconheceu ter sido "indevida" a intervenção na fabrica. Outras ações suspeitas por parte do Ministério da Indústria e Comércio e outras autoridades governamentais à época condenaram as instalações da fábrica a ficarem abandonadas por todos esses anos.
   Apenas cinco unidades chegaram a ser produzidas, e destas só restaram três, que foram restauradas com peças que haviam sido apreendidas pela Justiça. Um dos exemplares foi entregue a Nelson Fernandes, que passou a dedicar-se ao negócio de cemitérios verticais.
   Podemos ver que as sacanagens neste país já vem de longa data, poís só tem Adão e escorpião na politica, aliás por falar em escorpião vamos ouvir "Scorpions - Still loving you"