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quarta-feira, 23 de maio de 2012

IBAP - A Sacanagem do Século

   Vocês já devem ter reparado que os países que possuem economia forte, possuem também uma industria automobilística nacional, veja só alguns exemplos por país:
1-EUA = Chevrolet e Ford
2-China = Chery e Jac
3-Japão = Honda e Toyota
4-Alemanha = Volkswagen e BMW
5-França = Renault e Peugeot
6-Brasil = ?
7-Inglaterra = Land Rover e Rolls Royce
8-Itália = Fiat e Alfa Romeo
9-Rússia = Lada
10-Índia = Tata
   O mais interessante é que desses países, o Brasil é o único a não possuir uma industria 100% nacional. Temos sim muitas industrias automobilistas, mas todas elas são estrangeiras. Mas será que ninguém teve a idéia de fundar uma fabrica 100% nacional?
   Sabemos que ouve uma tentativa da Gurgel entre anos 70 e 90, mas nos anos 60 também ouve uma outra tentativa, que infelizmente foi fracassada e contarei a agora de maneira resumida como foi esta história.
   Nelson Fernandes tinha um grande sonho, que era criar um automóvel moderno e que fosse 100% nacional, então ele 1963 fundou a IBAP (Industria Brasileira de Automóveis Presidente) em São Bernado do Campo.
   O plano dele era ousado, ele tinha em mente construir um autómovel de alto padrão que pudesse concorrer com as carroças da época:
   Simca Chambord, Aero Willys e FNM JK vistos nas fotos logo abaixo.
   A fabrica tinha inicialmente 120 funcionários, estes teriam benefícios como título de propriedade da IBAP, participação na diretoria, desconto na compra do carro e preferência para se tornarem revendedores.
   O modelo seria batizado de “Democrata”, e teria a carroceria de fibra de vidro, e o motor seria o único componente importado (da Itália).
   Os veiculos só poderiam ser adquiridos por meio de compra de ações, isto é primeiro os consumidores teriam que adquirir ações da IBAP e depois guardar o seu lugar na fila para receber o automóvel. Isso era uma jogada sensacional, pois a venda de ações da companhia para os futuros compradores, seria uma importante estratégia para financiar a empreitada.
   Podemos ver pelas fotos abaixo que o modelo tinha um design bem avançado para época, compare com os 3 das fotos de acima.
   Essa empreitada, não era bem vista pelas estrangeiras aqui instaladas, pois não era de interesse delas, que ouvesse uma industria 100% Brasileira, e assim começou uma forte campanha contra a IBAP nos veículos de comunicação. O projeto foi duramente atacado pela revista “Quatro Rodas”, e consta que havia nos bastidores um forte lobby das montadoras estrangeiras junto ao governo militar, o que acabou por sepultar a IBAP e o sonho de Fernandes. 
   A estratégia de financiamento da empresa resultaria num escândalo sem igual na história da industria automobilistica nacional.
   A sacanagem começou da seguinte forma: Inicialmente cerca de 500 motores viriam da Itália, mas "providencialmente" a Polícia Federal apreendeu todo carregamento com ferramental, estampo e moldes como se fosse um mero contrabando. Hummm...muito conveniente! 
   Depois ele tentou comprar a estatal Fábrica Nacional de Motores (FNM) que andava mal das pernas, mas o governo vetou a operação. Após uma onda de manchetes negativas, os investidores "com medo" desistiram das ações, e a empresa perdeu fôlego.
   Em 1968 a IBAP acabou fechando suas portas, antes mesmo de começar a produzir em "larga escala" o primeiro automóvel projetado totalmente no Brasil. E para completar a cereja no bolo, todo patrimônio da empresa foi seqüestrado pela justiça. Pois todo o castigo pra corno é pouco.
   Fernandes foi inocentado e somente 20 anos depois o Banco Central reconheceu ter sido "indevida" a intervenção na fabrica. Outras ações suspeitas por parte do Ministério da Indústria e Comércio e outras autoridades governamentais à época condenaram as instalações da fábrica a ficarem abandonadas por todos esses anos.
   Apenas cinco unidades chegaram a ser produzidas, e destas só restaram três, que foram restauradas com peças que haviam sido apreendidas pela Justiça. Um dos exemplares foi entregue a Nelson Fernandes, que passou a dedicar-se ao negócio de cemitérios verticais.
   Podemos ver que as sacanagens neste país já vem de longa data, poís só tem Adão e escorpião na politica, aliás por falar em escorpião vamos ouvir "Scorpions - Still loving you"

quinta-feira, 26 de abril de 2012

As Favelas do Rio e o colapso do Café


   Vocês devem ter percebido que fiz muitas referências sobre as favelas do Rio em varios post's, e hoje vou falar sobre como foi o processo de favelização do Rio de Janeiro.
   As primeiras favelas surgiram ainda no século 19 quando os soldados que voltavam da guerra de canudos tiveram a permissão de fixar moradia no morro da providência (considerado a 1º favela do Rio - Vide foto acima), a população favelada foi aumentando com a chegada dos escravos libertos, que não tinham onde morar e se fixaram em varios morros, já no inicio do século 20 chegaram os pobretões que viviam em cortiços do centro, que foram demolidos devido as obras de modernização da capital federal, e para completar o balaio de gato, veio a partir dos anos 40 uma horda de nordestinos em busca de melhores condições de vida.
   Então 1960 já existia no Rio de janeiro cerca de 500 mil pessoas vivendo em favelas, só a titulo de comparação, em São Paulo na mesma época tinha apenas 30 mil pessoas vivendo em favelas.
   Mas 1970 a população favelada já tinha passado para 1 milhão!!! Isso mesmo, simplesmente dobrou em 10 anos. Vocês vão me perguntar de onde veio essa gente toda e porque? Eu digo, foi por causa do café.
   Mas o que o café tem a ver com isso? É isso que vou contar agora.
   O Rio de Janeiro por volta de 1850 era o maior produtor mundial de café produzindo cerca de 5 milhões de sacas de café. A área de produção foi aos poucos se deslocando (em busca de novas terras) em direção ao sul do estado, em seguida foi para o vale do paraíba, até chegar ao oeste Paulista onde encontrou a terra roxa (solo bom para plantação do café), e nos anos 40 já tinha chegado ao norte do paraná, com isso a produção de café no estado do Rio ja vinha em longa decadência, mesmo assim em 1950 a produção ainda chegava a 3 milhões de sacas de café.
   No inicio de 1960 a produção caia ainda mais chegando a míseros 1,5 milhões de sacas, a produção era pouco mecanizada e por isso tinha poucos rendimentos por hectare, o solo ruim agravou a situação e os fazendeiros então acumularam grandes dívidas, e por isso não tinham condições de modernizar a produção.
   Foi com a ditadura que veio o tiro de misericórdia. O governo militar queria transforma o Rio em apenas consumidor de café e não concorrente dos estados produtores como Paraná e São Paulo, então o governo prometeu perdoar as dividas dos fazendeiros, mas em troca os mesmo deveriam erradicar os pés de cafés do estado (um pé de café leva 7 anos até se tornar produtivo), e isto foi feito.
   Foi ai que veio os efeitos colaterais desta decisão torpe, pois cerca de 500 mil pessoas do interior do Rio e de Minas Gerais, viviam direta e indiretamento da produção de café, esse pessoal todo ficou da noite para o dia sem renda, o que fazer então? Tentaram a sorte na ex-capital federal, com isso em 1970 (dez anos depois) coincidência ou não, a população de favelados no estado tinha dobrado.
   Um outro efeito colateral foi que as ferrovias do estado entraram em decadência, e grande parte das linhas foram desativadas devido a subutilização, e os portos ficaram largados as traças, foi decadência total.
   A produção hoje no estado do Rio é de apenas 150 mil sacas de café, não conseguindo suprir nem o consumo local que é de 1,2 milhões de sacas, com isso somos obrigados a comprar o café de outros estados, acarretando em um déficit comercial de 300 milhões de dólares, só na importação do café.
   Só agora é que o Rio esta começando a reverter a decadência, mas o trabalho é grande, para compensar as décadas de abandono.
   Isso é para todos verem que, quando o governo se mete no que esta quieto só da merda.