Vocês devem ter percebido que fiz muitas referências sobre as favelas do Rio em varios post's, e hoje vou falar sobre como foi o processo de favelização do Rio de Janeiro.
As primeiras favelas surgiram ainda no século 19 quando os soldados que voltavam da guerra de canudos tiveram a permissão de fixar moradia no morro da providência (considerado a 1º favela do Rio - Vide foto acima), a população favelada foi aumentando com a chegada dos escravos libertos, que não tinham onde morar e se fixaram em varios morros, já no inicio do século 20 chegaram os pobretões que viviam em cortiços do centro, que foram demolidos devido as obras de modernização da capital federal, e para completar o balaio de gato, veio a partir dos anos 40 uma horda de nordestinos em busca de melhores condições de vida.
Então 1960 já existia no Rio de janeiro cerca de 500 mil pessoas vivendo em favelas, só a titulo de comparação, em São Paulo na mesma época tinha apenas 30 mil pessoas vivendo em favelas.
Mas 1970 a população favelada já tinha passado para 1 milhão!!! Isso mesmo, simplesmente dobrou em 10 anos. Vocês vão me perguntar de onde veio essa gente toda e porque? Eu digo, foi por causa do café.
Mas 1970 a população favelada já tinha passado para 1 milhão!!! Isso mesmo, simplesmente dobrou em 10 anos. Vocês vão me perguntar de onde veio essa gente toda e porque? Eu digo, foi por causa do café.
Mas o que o café tem a ver com isso? É isso que vou contar agora.
O Rio de Janeiro por volta de 1850 era o maior produtor mundial de café produzindo cerca de 5 milhões de sacas de café. A área de produção foi aos poucos se deslocando (em busca de novas terras) em direção ao sul do estado, em seguida foi para o vale do paraíba, até chegar ao oeste Paulista onde encontrou a terra roxa (solo bom para plantação do café), e nos anos 40 já tinha chegado ao norte do paraná, com isso a produção de café no estado do Rio ja vinha em longa decadência, mesmo assim em 1950 a produção ainda chegava a 3 milhões de sacas de café.
No inicio de 1960 a produção caia ainda mais chegando a míseros 1,5 milhões de sacas, a produção era pouco mecanizada e por isso tinha poucos rendimentos por hectare, o solo ruim agravou a situação e os fazendeiros então acumularam grandes dívidas, e por isso não tinham condições de modernizar a produção.
Foi com a ditadura que veio o tiro de misericórdia. O governo militar queria transforma o Rio em apenas consumidor de café e não concorrente dos estados produtores como Paraná e São Paulo, então o governo prometeu perdoar as dividas dos fazendeiros, mas em troca os mesmo deveriam erradicar os pés de cafés do estado (um pé de café leva 7 anos até se tornar produtivo), e isto foi feito.
Foi ai que veio os efeitos colaterais desta decisão torpe, pois cerca de 500 mil pessoas do interior do Rio e de Minas Gerais, viviam direta e indiretamento da produção de café, esse pessoal todo ficou da noite para o dia sem renda, o que fazer então? Tentaram a sorte na ex-capital federal, com isso em 1970 (dez anos depois) coincidência ou não, a população de favelados no estado tinha dobrado.
Um outro efeito colateral foi que as ferrovias do estado entraram em decadência, e grande parte das linhas foram desativadas devido a subutilização, e os portos ficaram largados as traças, foi decadência total.
A produção hoje no estado do Rio é de apenas 150 mil sacas de café, não conseguindo suprir nem o consumo local que é de 1,2 milhões de sacas, com isso somos obrigados a comprar o café de outros estados, acarretando em um déficit comercial de 300 milhões de dólares, só na importação do café.
Só agora é que o Rio esta começando a reverter a decadência, mas o trabalho é grande, para compensar as décadas de abandono.
Isso é para todos verem que, quando o governo se mete no que esta quieto só da merda.
Isso é para todos verem que, quando o governo se mete no que esta quieto só da merda.


