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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Telebrás Investimento ou Especulação?


    Ontem eu publiquei um post sobre a Telefonia nos anos 90, antes da privatização e algumas pessoas fizeram comentários em relação as ações da Telebrás TELB3 e TELB4 e pediram a minha opinião. Farei as minhas considerações agora.
    A Telebrás era uma empresa de telefonia que foi dividida em varias partes e estas partes foram a leilão em 1998. Então na prática esta empresa deixou de existir e as suas ações deveriam ter sido extintas, mas por uma aberração, destas que só acontecem no Brasil as sua ações continuaram a ser negociadas no Bovespa.
    No inicio de 2008 saiu uma revista chamada “Investmais” eu gostei da revista desde o inicio, porque estava começando a investir e queria ter mais informações (eu colecionei a revista do número 1 até 38, quando então esta revista foi vendida para ADVFN, e na minha opinião o nível da revista caiu muito e parei de colecionar).
    Voltando ao assunto, em abril de 2008 saiu uma notinha nesta revista falando sobre a reativação da Telebrás que seria usada para implantar a banda larga popular no Brasil, e que o preço das ações TELB4 poderia chegar a 1 real. 
    Fui no site da Bovespa para pesquisar a cotação, que naquele momento estava em torno de 40 centavos, fiquei animado, porque se isso fosse verdade compraria as ações e faturava uma boa grana, mas felizmente resolvi a verificar o histórico de cotações, e fui recuando mês a mês, e vi que a cotação no inicio de novembro de 2007 estava em 4 centavos e já no inicio de janeiro tinha alcançado 90 centavos, num aumento de quase 2200%. 
    A cotação neste ponto começou a cair lentamente até chegar aos 40 centavos, foi ai eu coloquei as barbas de molho, porque o que eu li, já era noticia "velha", pois os insiders já sabiam de tudo 6 meses antes, e já vinham comprando as ações da Telebrás.
    Comecei a pesquisar o assunto mais a fundo, e soube que o Governo tinha criado (PNBL) Plano Nacional da Banda Larga e que a Telebrás seria reativada aproveitando as redes de fibras óticas já existentes que pertenciam a Eletronet (subsidiária falida da Eletrobrás) para oferecer-las as operadoras o acesso a rede, e elas por sua vez iriam prestar serviço ao consumidor final.
    Mas existiam muitos entraves jurídicos em relação a Eletronet, e o governo cogitou a usar as redes de fibra óticas de outras estatais como a Petrobras.  
    Juntando a esse balaio de gato ainda tinha a denuncia de que a reativação da Telebrás iria favorece o José Dirceu!
    Isso não estava cheirando bem.
    Mesmo assim ela foi reativada em 2010 e o objetivo inicial é oferecer acesso a Web com velocidade mínima 512kbps por até 35 reais. Os investimentos em 2011 foram na ordem de 75 milhões e a previsão para 2012 será de 400 milhões. As intenções, aparentemente são boas.
    Os indicadores fundamentalistas são todos ruins, típicos de empresas pré-operacionais que ainda não possuem receitas, mas que tem muitas despesas. Foi feito em 2011 um agrupamento de ações para adequar o preço das ações aos valores praticados pela Bovespa.
    Em termos puramente gráficos o papel se alterna entre períodos de muita calmaria com flutuações quase zero, com períodos de grande volatividade com o papel indo desde uma máxima de 30,70 até uma mínima de 3,96. O preço atual esta na faixa de 13,00 (TELB4).
    Portanto para quem gosta de especular, há períodos muito bons, mas para quem quer investir a longo prazo a Telebrás é uma incógnita. Então é melhor esperar por resultados mais concretos ou se quiserem, apostar como um "azarão" da bolsa.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Império Telefônico de Florisvaldo



   Quem tem um pouco mais de idade vai se lembrar que até os anos 90 era muito difícil ter telefones no Brasil, era preciso comprar uma linha que na época custava mais de 2000 reais e teria que esperar mais de 3 anos para receber a dita cuja, após receber a linha este valor era convertido em ações da companhia telefônica.
   Com os telefones celulares (analógicos) a coisa era pior, a linha chegava a custar mais de 4000 dólares e o aparelho mais de 1000 reais.
   Isso favorecia um mercado paralelo de Compra, venda e aluguéis de telefones, Uma linha chegava a valer em determinados locais mais de 20 mil, inclusive as linhas telefônicas eram deixados como herança. Existia em cada bairro assim como as imobiliárias, várias empresas de compra, venda e aluguéis de telefones, sendo que o preço de aluguel de uma linha residencial custava 1 salário mínimo por mês já uma linha comercial o aluguel era de 2 salários mínimos, (o salário mínimo era um indexador econômico na época e servia de parâmetro de preço para muitos serviços). 
    Quando o meu pai junto com outros 3 sócios montaram uma empresa (os detalhes estão na História do Caçador), eles precisavam de uma linha de telefônica, que por lei tinha que ser comercial. Esse telefone foi alugado na empresa de Florisvaldo que na época tinha 98 telefones para alugar.
   Vocês devem imaginar o patrimônio total e os dividendos mensais que ele recebia, então vamos ver alguns dados econômicos em 1994:
·        Salário mínimo (s.m.) = 65,00
·        98 telefones x 65,00 = 6.370,00 (média de dividendos mensais)
·        98 telefones x 4.000,00 = 392.000,00 (Patrimônio Total)
·        Automóvel popular 0Km = 7.500,00 (Gol 1000) ou 115 s.m
O patrimônio dele em telefones era na época equivalente a 52 automóveis populares.
   Vamos converter para valores de hoje – 2012:
·        Salário mínimo (s.m.) = 622,00
·        Evolução do s.m. entre 1994 até 2012 = 856%
·        98 telefones x 622,00 = 60.956,00 (média de dividendos mensais)
·        98 telefones x 38.240,00 = 3.747.520,00 (Patrimônio Total)
·        Automóvel popular 0Km = 28.000,00 (Celta 1.0) ou 45 s.m.

Obs. Podemos ver que o valor do salário mínimo subiu muito porque para comprar um Automóvel popular em 1994 precisava-se 115 s.m. hoje basta 45 s.m. (É por isso que a classe “C” em peso tem carro 0Km) .
   Agora vocês devem imaginar que após a privatização das teles em 1998 democratizou os telefones no Brasil. Hoje nós não precisamos comprar uma linha, basta fazer a assinatura, e os telefones celulares viraram um acessório, como um chaveiro. Hoje todo mundo tem. 
   Mas isto causou um impacto terrível, para quem vivia de dividendos provenientes dos aluguéis dos telefones, e patrimônios inteiros viraram pó em pouquíssimos meses, já que ninguém mais precisava comprar as linhas telefônicas. Isto serve de aviso para que os investidores diversifiquem os investimentos para que não fiquem igual ao Florisvaldo.
   Mas vocês vão me perguntar e o Florisvaldo? Que fim levou? E não sei, pois perdi o contato com ele, mas com certeza não deve estar muito feliz. 
   Por isso Diversifiquem !!!