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domingo, 22 de abril de 2012

A ida para o trabalho 2º Parte

   Continuando o post anterior sobre os transportes aqui no Rio de Janeiro, estava falando como é viajar de trem para o trabalho.
   Este trem já vem de muito longe (Japeri), e eu pego já na metade do caminho, portanto a composição já vem superlotada, e a primeira coisa que se percebe ao entrar, é o forte cheiro de ovo cozido, além disso essas pessoas não tomam banho, e não se importam em usar roupas sujas.
   Os passageiros em grande maioria são pessoas muito humildes, os homens normalmente trabalham na construção civil e as mulheres são empregadas domésticas, eles tem uma espécie de comunicação secreta entre eles, é uma comunicação baseada em cheiros, pois você percebe um cheiro vindo da esquerda para direita e depois sente o mesmo cheiro vindo na direção contrária, e sempre o mesmo tipo de cheiro, que é de feijão ou amendoin queimado.  
   O mais curioso são as conversas entre eles, são sempre conversas baseados em crimes, drogas, futebol e falar mal do patrão. Eu me lembro de varias conversas entre eles, vou contar algumas:
  • Dois caras estavam conversando e um dele estava perguntando por um terceiro que estava ausente, o outro disse que o fulano de tal era trabalhador de 3 dias, e que estava bem de vida, pois ganhava 50 reais por jornada, e só queria saber de praia, mulher e cerveja (AMBV4). Eu não pude deixar de ouvir isso e fiz alguns cálculos: 3 vezes 50 reais é igual a 150 reais por semana, vezes 4 semanas é igual a 600 reais mensais. Tudo bem eles podem até se contentar com isso, agora depois não vem reclamar do governo.
  • Outra conversa que escutei foi sobre uma mulher cujo o marido (um daqueles caras que ficam pendurados na porta) tinha caído do trem  e morrido, ela recebeu uma indenização de 100 mil reais, sabe o que ela fez com o dinheiro? Torrou tudo com homens e cerveja (AMBV4), agora ela esta na merda de novo....e foda-se pra ela.
  • Um ultimo exemplo de conversa foi que um cara estava se lamentando, porque quando ficou desempregado e recebeu 6 meses de auxilio desemprego, sabe o que ele fez com o dinheiro? A mesma coisa, torrou com mulheres e cerveja (AMBV4) e disse que agora estava arrependido, pois poderia ter usado o dinheiro para terminar o seu barraco, agora estava duro e com o barraco incompleto.
    E na volta para a casa é a mesma coisa, somados ainda aos vendedores de cerveja (AMBV4) que passam sempre suados e sujos entre os passageiros com suas enormes caixas de isopor, e ninguém pode reclamar, pois se reclamar os caras dizem que poderiam estar roubando e que se tivessem lá fora dariam um tiro na cabeça do cara que reclamou.
    Todos vêem pelas TV’s os trens que quebram toda hora, mas ninguém fala que grande parte das quebras são devido a sabotagens dos próprios passageiros, eles gostam de abrir as portas a força, acionam os freios de emergência para travar os trens e roubam os cabos de controle para vender o cobre. É uma ignorância total, aliás é a mesma ignorância e falta de educação que faz com que mulheres grávidas e com crianças de colo fiquem em pé, enquanto que os homens ficam sentados fingindos que estão dormindo para não cederem o seu lugar.
    A composição é dividida em vários vagões e geralmente o primeiro vagão e dos maconheiros e malandros, o segundo são das mulheres que por lei os homens não deveria entrar, mas entram assim mesmo, e se esfregam nas estudantes e se masturbam na frente delas, o terceiro é o vagão dos evangélicos, pois todos os dias tem pregação, é uma agonia, e sem falar dos vendedores, que vendem todos os tipos de tralhas que se pode imaginar.
   Somados a tudo isso temos também os sons do ambiente regados a música funk ou gospel a todo o volume, pois eles ignoram a existência dos fones de ouvidos. E quando é sexta feira tem sempre samba em alguns vagões, e ninguém pode reclamar.
   Enfim isso é o trem no Rio de Janeiro, eles reclamam de que os trens estão velhos, mas para o povinho que usa, este transporte está é bom demais. Esta ao nível do povo que o usa. E eu quando chego na minha estação dou graças aos Deuses por ter chegado, e o trem continua a sua viagem até Japeri - A porta de entrada do Inferno.

domingo, 15 de abril de 2012

A ida para o trabalho 1º Parte

    Muito se fala que ficamos 8 horas trabalhando, mas isso é só a hora líquida, se computarmos a hora bruta que inclui, uma hora de almoço e o tempo gasto para ir da casa ao trabalho e do trabalho para casa mais o tempo que acordamos para se arrumar, tudo isso somado as 8 horas de trabalho, da um total de 12 horas sem contar com as horas extras.
   Isto mesmo mais da metade do dia estamos com as nossas mentes voltadas para o trabalho e somados as 8 horas que dormimos, só sobraria umas 4 horas de tempo livre por dia. É chegar em casa tomar banho comer e dormir, acordar de novo e começar tudo de novo como se fossemos robôs.
    Voltei ao tema iniciado na semana passada, mas vou analisar com mais profundidade o seguinte aspecto: O transporte de ida e volta ao trabalho.
    Vou falar da minha experiência em transportes coletivos. Quando comecei a trabalhar no Centro do Rio em 2003 eu pegava ônibus, se tivesse sorte ainda encontrava algum lugar pra sentar, mas com o passar dos anos, os ônibus já vinham tão cheios que só dava pra ficar na parte da frente, pois o resto do ônibus ja estava entulhado de gente, e sem falar do calor, mesmo tendo ar condicionado, que não dava vazão pelo números de pessoas, e sem falar que o tempo de viagem que era de 50min, passaria para 1:20h ao longo dos anos devidos aos constantes engarrafamentos na Avenida Brasil.
    Alguns motoristas não gostavam de passageiros na parte da frente pois tirava a visão que eles tinham das meninas de uniforme de colegial que ficavam nos pontos, numa dessas um deles estava de olho numa colegial loirinha de coxa grossa, só que eu acabei ficando exatamente na frente dele, atrapalhando a visão do paraiso que ele queria ter, o coitado acabou se explodindo com os passageiros e disse que não queria mais ninguém na parte da frente do ônibus, como eu já estava de saco cheio dos ônibus, resolvi a tentar os trens.
   Comecei a pegar trem e geralmente quando não quebrava levava 50min para chegar ao centro do Rio, mas os trens tem um efeito colateral, para iniciar eles já vem de Japeri superlotados. Para quem não sabe que lugar é esse, eu vou explicar, imagine que Ipanema e Leblon são os 2 olhos verdes do Rio, Japeri seria o olho do CÚ. É a cidade mais profunda da baixada fluminense com o pior IDH do estado, um antro de tudo o que é pior em educação e de gente feia, em resumo é a classe “D” ou cidade-favela em movimento.
    Já no momento que você entra no trem já sente um cheiro forte de gás de cozinha (ovo cozido), parece que há uma dor de barriga coletiva entre os passageiros, e que ninguém toma banho ou escova os dentes, é uma mistura tão forte de cheiros que deixa qualquer um entorpecido, você chega na estação terminal tonto.
   Mas alguém vai dizer: Então porque não vai de carro? E digo que de carro é pior porque o transito esta sempre engarrafado, então eu levaria 2 horas para chegar ao trabalho, sem falar dos gastos com combustível, estacionamento e os estresse do transito.
   Como prefiro não perder tempo uso os trens apesar do mau cheiro, mas na próxima semana continuarei este post e vou falar as grandes verdades ocultas do que acontece dentro dos trens, as conversas entre os passageiros, e porque das muita quebras que vocês vê nos Jornais.
   Mas para espantar o mau cheiro e dar uma relaxada no fim de semana vamos ouvir "Europe - The Final Countdown".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Classe “D” – A ultima fronteira


     A Classe “D” – A ultima fronteira
    Se vocês acharam que já tinha abaixado o nível, verão que ainda pode piorar, pois abaixo do Classe “C” existe ainda a classe “D” conhecida como a porta de entrada do inferno. Vamos conhecer então o submundo da classe “D”.
    Se você ver alguém andando em um chevette rebaixado ou Fiat Uno com símbolo da Audi, pode ter a certeza de quem esta dirigindo é alguém da classe “D”. Mas como identifica-los ? Eles tem a fala arrastada misturada com sotaque de malandro. Os homens geralmente são Office boys ou auxiliares de serviços gerais, eles gostam de usar bonés, bermudas até a canela e tênis de marca, gostam de ouvir funk a todo volume dentro dos ônibus e sem os fones de ouvidos em celulares xing-lings (chinês) de 4 chips.
     
    As mulheres trabalham como balconistas ou vendedoras de roupa de lojas da periferia, elas sempre usam shorts jeans enfiados no rabo, bustier, tamancos de saltos altos, e tem pernas com celulite e barriga d’agua, elas usam maquiagem pesada, e pintam os olhos de prateado, usam batom roxo, os cabelos são alisados com chapinha, sem falar do piercing no umbigo que mais parece um chaveiro. O mais interessante é que quase todas tem tatuagens, sempre do mesmo tipo, uma aranha no pescoço ou um tridente em uma das mão.      
    Eles gostam de se divertir por isso deixam as filhas em casa de homens sozinhos que estão sempre a disposição para “ajuda-los”, e os filhos deixam na rua mesmo, com os traficante servindo de babá, isso tudo para irem até as biroscas beber e falar palavrão até se acabarem, se sentam naquelas cadeiras enferrujadas da Skol e na hora de mijar os homens fazem nos pneus dos carros e as mulheres vão para trás da banca de jornal.
    Alguns deles já cometeram pequenos delitos, do tipo entrar em farmácias para roubar bronzeador, ou em supermercado para roubar latas de atum, muitos tem conhecidos presos, mas se dizem trabalhadores, mas basta um caminhão de cerveja enguiçar nas proximidades para se iniciar um saque, os motoristas dos caminhões se sentem como o Will Smith no filme “Eu sou a Lenda”.

    Mas eles também querem ter o do bom e do melhor e fazem a alegria dos camelos comprando produtos de marcas famosas mas tudo pirata, eles também gostam de tecnologia e na sala das casas tem sempre uma TV de LCD comprada nas casas Bahia e pagos em 24 vezes, tudo para assistirem novelas da globo e o programa do ratinho, os filhos brigam para usarem o único netbook disponível, as meninas para entrar no facebook e os meninos para entrarem no blog do “Pobretão”.
     Eles sonham com dias melhore por isso jogam jogos de azar, para ver se tiram a sorte grande ou freqüentam a Igreja Universal. As mulheres se forem bonitas poderão sair com algum otário que tem carrão, se tiverem sorte poderão engravidar e ganhar pensão alimentícia, ou um cordão de ouro da grossura de um dedo se engravidar de um traficante.
    As vezes eles “investem” em títulos de capitalização porque tem sorteios todo mês. “Investidores” eles nunca ouviram falar e se já ouviram acham que é algum tipo de estelionatário.
    Estudar? Não. Isso é coisa pra mané. Bom mesmo é receber bolsa família.